Stetic Cris

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

CUIDADOS COM A PELE. PROTETOR SOLAR NOSSO MELHOR AMIGO.

A pele é um órgão de muita importância, desempenhando diversas funções que contribuem para a homeostasia do corpo. Dentre essas funções podemos destacar:
Barreira entre o meio interno e o meio externo contra agressões de natureza química, física ou biológica;
Impedimento da desidratação, evitando que os líquidos corpóreos extravasem;
Regulamentação da temperatura corporal, por meio de mecanismos de horripilação e sudorese, além da camada de gordura;
Participação do sistema imunológico;
Atuação na produção de vitamina D3;
Como um órgão sensorial, possui terminações nervosas de natureza, algiosensível (dor) criosensível (frio) e termosensível (calor);
Possui um pigmento denominado melanina que determina a cor genético-racial e proteção contra a radiação ultra violeta – RUV.

Os Três Princípios:

Esse órgão, também chamado de Sistema Tegumentar, formado por epiderme, derme e hipoderme (alguns autores não consideram a hipoderme como parte da pele) deveria ter a orientação, quanto sua importância e manutenção dadas ainda na infância, no meio familiar e escolar, além de campanhas por parte do poder público.
Em 1948, a Organização Mundial de Saúde – OMS – determinou que “Saúde é um completo bem-estar físico, mental, espiritual e social de um indivíduo”, mostrando que o ser humano não pode ser tratado por partes, mas como um todo. Ainda segundo a OMS, a Promoção de Saúde deve ser baseada em sete princípios: concepção holística, intersetorialidade, empoderamento, participação social, equidade, ações multi-estratégicas e sustentabilidade. Destacamos três princípios: empoderamento, participação social e equidade.
O empoderamento e a participação social são considerados princípios-chave, nos quais o indivíduo deve ter participação efetiva na promoção de sua saúde, e isso só é possível pelo conhecimento. Empoderar significa dar poder de decisão, dar responsabilidade baseado no conhecimento da problemática. A participação social envolve todas as entidades de classe, como associações de bairro, igrejas, ONGs, entre outros.
A equidade significa dar oportunidades, “eliminar as diferenças desnecessárias, evitáveis e injustas que restringem as oportunidades para se atingir o direito ao bem-estar.”

Preocupação:

Uma das preocupações da classe médica e da estética são as alterações cutâneas causadas por exposição solar excessiva, chamadas de fotodermatoses ou dermatoelioses.
Segundo o dicionário TABER, dermatoelioses são:
“Alterações degenerativas da pele induzidas pelo sol. São dermatoelioses: rugas, atrofias, manchas hiper e hipomelanóticas, telangiectasia, pápulas e placas amarelas, ceratoses e degeneração do tecido elástico.”
Algumas dessas alterações são consideradas neoplasias, isto é, uma nova formação anormal de tecido, podendo ser benigna ou maligna.
A ceratose é uma neoplasia devido ao desenvolvimento excessivo das células de ceratina na camada córnea, um dos tipos é a ceratose actínicas, uma lesão pré-maligna, uma das causas do câncer de pele do tipo carcinoma espinocelular. Outras alterações causadas por exposição solar são:
Fotoalergias – Caracterizadas por alteração cutânea provocada pela presença de certas substâncias químicas (substâncias fototóxicas, como cítricos, anti-histamínicos de uso tópico, hexaclorofeno, óleo de canela, etc.) que, interagindo com as RUV, causam hiperemia, placas, pápulas, prurido, vesículas e descamações.
Urticária Solar – Após exposição solar, alguns indivíduos apresentam erupção súbita, seguida de intenso prurido e numerosas pápulas.
Fotoenvelhecimento – Também chamado de envelhecimento extrínseco, é decorrente do efeito da RUV solar e surge a partir dos 25 anos, sendo o principal responsável pelo envelhecimento cutâneo precoce, pois sua ação em longo prazo faz surgirem os sinais da pele envelhecida.
Câncer – Os RUV deixam a pele mais predisposta ao surgimento do câncer, especialmente em indivíduos de pele clara (fototipos I e II). A RUV, além de alterar o código genético das células, inibe mecanismos de defesa que nos protegem contra o câncer da pele. Todos os fototipos de pele estão sujeitos aos efeitos nocivos da RUV e a fotoproteção deve ser iniciada na infância, diariamente, evitando-se assim, os efeitos cumulativos.
Melanogênese - A melanogênese é o processo pelo qual a melanina é formada e depositada na superfície da pele, podendo ser determinada por herança genética, por estímulo hormonal, medicamentoso, pós-inflamatório ou por exposição aos RUV.
Classificação de Fitzpatrick
A produção aumentada de melanina por exposição aos RUV é uma reação defensiva da pele contra as agressões solares. A RUV é dividida em RUV-A, RUV-B e RUV-C com comprimento de onda entre 200 e 400 nanômetros (nm).
1. Radiação UV-A é aquela compreendida entre 320 e 400 nm. Produz pigmentação direta, causando eritema suave. Pode causar alergias por fotossensibilização, radicais livres – que danificam colágeno e elastina –, fotoenvelhecimento e câncer.
2. Radiação UV-B é aquela compreendida entre 290 e 320 nm. Possui alto poder eritematógeno. Produz eritemas, queimaduras, edemas, bolhas, inflamações e pigmentação da pele. Inibe a função das células de Langerhans. Produz pigmentação indireta, torna mais espessa a camada córnea, causa alterações no DNA e câncer.
3. Radiação UV-C é aquela compreendida entre 200 e 290 nm. Praticamente não chega à superfície terrestre, pois é barrada pela camada de ozônio, que possui efeito germicida.
A pigmentação e a formação de melanina podem ocorrer por forma direta ou indireta. Os raios UV-A produzem pigmentação direta sobre os pigmentos já existentes na pele, causando seu escurecimento, já os raios UV-B promovem uma pigmentação indireta devido ao aumento do número de melanócitos ativos e estimulação da tirosinase, provocando eritema actínico. Pela classificação de Fitzpatrick, observamos seis fototipos de pele, entendemos que a melanina é um filtro solar natural, que o fototipo é determinado pela quantidade de melanina presente na pele e, por consequência, pela cor do indivíduo, e que as peles com menos capacidade de produzir melanina são mais suscetíveis ao fotoenvelhecimento e ao câncer de pele.

Neoplasias Cutâneas Malignas:

Crescimento anormal de células epidérmicas, por mutação, dando origem a um novo tecido que tem como principal causa a exposição prolongada e repetida à radiação ultra-violeta. As formas mais comuns de neoplasias cutâneas malignas são carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanoma maligno.
1. Carcinoma basocelular (CBC) – Tumor maligno derivado das células basais da epiderme, caracterizado por feridas que não cicatrizam. É mais frequente, porém é também o que tem melhor prognóstico de cura. Seu crescimento é lento e raramente leva à metástase.
2. Carcinoma espinocelular (CEC) – Tumor maligno originado nos ceratinócitos da camada espinhosa, que pode desenvolver-se a partir de lesões pré-cancerígenas como a ceratose actínica. Embora seja menos comum que o carcinoma basocelular, costuma acometer o lábio inferior dos fumantes. Também tem relação com os efeitos cumulativos dos raios solares e pode evoluir para metástase.
3. Melanoma maligno (MM) – É o mais grave dos tumores cutâneos, originado a partir dos melanócitos. Está diretamente associado a contínuas exposições solares ao longo dos anos, principalmente, durante a infância e adolescência. Também podem evoluir a partir de nevos pigmentados, principalmente os escuros, que costumam sofrer lesões, devido a uma maior incidência dos raios solares. Há ocorrência de metástase, pelas vias linfáticas e circulatórias. O diagnóstico precoce é importante para prevenir óbito.


Teste do ABCD:
 
Ao observarmos alterações na pele de nossos clientes, não devemos alarmá-los, mas solicitar que procure um profissional médico para uma avaliação. Mas os cânceres de pele são avaliados segundo a observação de manchas que coçam, descamam e sangram, dificuldade na cicatrização dessas lesões, e sinais ou pintas que mudaram de tamanho, forma ou cor, além de submeter essas alterações ao teste do ABCD.
Esse teste nos orienta quanto a quatro parâmetros:
Assimetria – uma linha traçada no meio da lesão deve formar metades iguais;
Borda – deve ser regular, sem reentrâncias;
Cor – deve ser homogênea;
Diâmetro – tamanho inferior a 6 mm.

Em 2007, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, foram diagnosticados 32.446 novos casos de câncer de pele. Uma triste estatística, já que a maioria desses casos, como observado abaixo, o paciente não usava filtro solar.

Conclusão:

Partindo do princípio que a orientação é o caminho para a educação em saúde e lembrando que a intersetorialidade e ações multi-estratégicas, são itens da Promoção de Saúde, que se traduzem por meio da participação de diferentes saberes com o objetivo de articular projetos, visando ao conhecimento e à tomada de atitudes.
“A disseminação da informação e a educação são bases para a tomada de decisão e componentes importantes da promoção de saúde (...).” (WHO, 1998)
Diante dessa realidade é necessária a participação mais efetiva dos cursos técnicos, além dos tecnólogos e profissionais de Estética fazerem sua parte nessa luta, desenvolvendo atividades como palestras e distribuição de informativos, esclarecendo a população, principalmente a população infantil contra os efeitos maléficos das RUV.




Bibliografia
GOMES, Rosaline Kelly; GABRIEL Marlene. Cosmetologia: descomplicando os princípios ativos. São Paulo: Editora Livraria Médica Paulista – 2ª edição. 2006
Revista Personalitè nº60.