Stetic Cris

domingo, 14 de novembro de 2010

Obesidade x bullying


Bullying é palavra inglesa, quer dizer "usar o poder ou a força para intimidar, excluir, implicar, humilhar, não dar atenção, fazer pouco caso e perseguir os outros". O que diferencia uma antiga "zoada" do atual bullying é a intenção daquele que provoca um colega: magoar repetidamente e por muito tempo outrem. No bullying sempre existe uma clara diferença entre o mais forte e o mais fraco, que tem dificuldade de quebrar a relação desigual de poder.



O tema é tão atual e preocupante que a violência no ambiente escolar foi alvo de uma pesquisa inédita no Brasil, feita pela organização não-governamental Plan, que envolveu mais de 5 mil estudantes. Por meio de entrevistas e formação de grupos focais com alunos, professores, pais, responsáveis e gestores escolares, em 25 escolas públicas e particulares, nas cinco regiões do país, a pesquisa Bullying no ambiente escolar concluiu que a maior incidência de maus tratos nas relações entre estudantes está na faixa etária de 11 a 15 anos, especialmente na sexta série do ensino fundamental.

Outro dado relevante é que o bullying é mais comum nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, mas independe do sexo, raça ou classe social. Também foi identificado que os meninos se envolvem com maior frequência nas situações de bullying que as meninas, contudo, estas se sentem mais tristes, chateadas e amedrontadas que eles.

Uma ocorrência das mais comuns, nas salas de aula, está ligada aos apelidos. Nada passa despercebido: orelhas em abano, obesidade, estrabismo, cabeça grande, pernas tortas, gagueira, nariz proeminente e até deficiências físicas. Os nomes e sobrenomes também não são poupados e servem de objeto de críticas e rimas. A situação piora quando os gracejos, críticas e chacotas se fazem acompanhar de ameaças. Caso o agredido verbalmente conte ao professor ou aos pais poderá sofrer represálias de toda sorte, até mesmo agressões físicas.

Crianças e adolescentes que passam por tal tipo de constrangimento sofrem muito e, quase sempre, os pais ficam sem entender a causa da aversão repentina que os filhos tomam pela escola, com pedidos constantes para que possam faltar às aulas. Existem relatos comoventes, feitos por especialistas no tema, de jovens que não tiveram forças suficientes para resolver o problema, e, muito menos, coragem para buscar ajuda, quer seja dos pais, dos professores ou da direção da escola.

Obesidade e preconceito
As pesquisas realizadas em todo o mundo nos dão conta de que estamos diante de um dos maiores problemas de saúde pública já enfrentados: a obesidade na infância e na adolescência. O problema já ultrapassou grupos populacionais anteriormente definidos, saiu das cidades e alcançou o campo, deixou os bairros socialmente privilegiados e invadiu as favelas, deixou para trás o Ocidente e se alastrou pelo Oriente.

"As consequências da obesidade infantil incluem um risco aumentado para a maioria das doenças crônicas, sendo mais frequentes: asma, esteatose hepática ou fígado gorduroso, síndrome da apnéia do sono e diabetes. A longo prazo, estão a maior incidência de doenças cardiovasculares, vários tipos de cânceres, doenças músculo-esqueléticas e doenças da vesícula biliar", afirma a endocrinologista Ellen Simone Paiva, diretora do Citen, Centro Integrado de Terapia Nutricional.

Apesar de muitas vezes não ser perceptível, a obesidade infantil afeta a auto-estima e a sociabilidade da população infanto-juvenil. A endocrinologista destaca algumas variáveis psicossociais que podem afetar negativamente a qualidade de vida das crianças obesas, podendo inclusive dificultar mudanças em seus estilos de vida, como fazer dietas ou praticar atividades físicas.

As dificuldades impostas pela obesidade podem coexistir, na vida de muitas delas, embora crianças e adolescentes obesos se sintam relutantes em discutir o assunto com pais, professores ou profissionais de saúde envolvidos em seus tratamentos. Conheça estes problemas:

  • Dificuldade de enfrentarem gozações e brincadeiras de seus colegas relacionadas ao seu peso corporal, o que causa estresse psicológico intenso, piora da auto-estima e piora da sua auto-avaliação da imagem corporal;
  • Isolamento social, redução considerável da capacidade de fazer amigos e de aproveitar as oportunidades de praticar atividade física em grupos, com o consequente aumento do consumo de alimentos;
  • Depressão, que pode ocorrer como causa ou consequência da obesidade na infância e adolescência.

"Quando se associa obesidade infantil com o bullying, o intuito do agressor é satirizar determinadas características da outra pessoa. Um exemplo comum é apelidar o companheiro com palavras que fazem alusão ao excesso de peso. As escolas têm obrigação de desenvolver um trabalho preventivo com os alunos, mostrando-lhes, não uma vez, mas constantemente, que deve haver respeito entre os alunos", alerta Ellen Paiva.

Pesquisas têm documentado alterações comportamentais até então desconhecidas como influenciadas pela obesidade. "Há indícios de que a obesidade na população infanto-juvenil está relacionada também ao comprometimento da performance escolar, à maior vulnerabilidade para os transtornos alimentares do tipo bulimia e aos comportamentos de risco como tabagismo, alcoolismo, atividade sexual prematura e práticas nutricionais erradas", destaca a endocrinologista.

FONTE: Citen